Viva Portugal! Viva os Portugueses!
Os que foram, os que são e os que virão.
A liberdade não espera tranquilamente pelo seu fim. A liberdade luta contra os seus inimigos - os que se disfarçam no seu seio à espera do momento certo para lhe porem termo. Sim, há por aí inimigos da liberdade.
O povo é sereno!
Viva o 25 de Abril!
E aqui deposito um cravo.
Há uns tempos para cá, quando o ano se aproxima do seu fim, adentro-me mil e quinhentos quilómetros no Atlântico e venho para a ilha onde pela primeira vez vi a luz.
Longe do mundo, mas perto do mundo, nos antípodas do seu atual centro geopolítico e geoeconómico - o Pacífico e as margens da Ásia Oriental - cerco-me do mar bravo, dos ventos de tempestade e dos elementos em fúria. Que os senhores da guerra se distraiam com os seus cenários de fim do mundo e de guerras longínquas. Que o seu olhar cobiçoso se afaste daqui. Que o Atlântico fique resguardado por ser subestimado. Sim, vão para o Pacífico. Deixem o Atlântico rugir em paz porque é a paz que aqui se encontra.
«A política relacionada com a imigração não vai desaparecer em breve porque as migrações transcontinentais e intercontinentais voltaram a ser uma característica da sociedade europeia e os receios e preconceitos garantirão que continuarão a ser consideradas disruptivas e politicamente exploráveis. Nas décadas anteriores, os preconceitos contra os imigrantes polacos, italianos ou portugueses acabaram por desaparecer à medida que os seus filhos, que não se distinguem pela religião, nem pela língua, nem pela cor, se fundiram na paisagem social. Estas vantagens da invisibilidade cultural e física não estão ao dispor dos seus sucessores oriundos da Turquia, da África, da Índia ou das Antilhas. A Europa tem muito pouca tradição de assimilação efetiva - ou, alternativamente, de «multiculturalismo» - quando se trata de comunidades verdadeiramente estrangeiras. Estes imigrantes e os seus filhos engrossarão as fileiras dos «perdedores» na competição pelos reduzidos recursos da Europa Ocidental.»
Tony Judt (sublinhado nosso)
Tony Judt, “Europa: a Grande Ilusão” in Quando os Factos Mudam, Ensaios 1995-2010, Edições 70, pág. 49.
(Ensaio originalmente publicado no The New York Review of Books, em julho de 1996)
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Actualmente assistimos a uma dificuldade de assimilação de imigrantes oriundos do mundo não ocidental. Estes imigrantes não possuem as “vantagens da invisibilidade cultural e física” de que falava Tony Judt, em 1996. São mais facilmente visados. O estranho entre nós torna-se visível, com consequências significativas nas relações interpessoais e nas tendências da política das nações ocidentais, que possuem populações mais velhas, mais fechadas, mais temerosas e conservadoras.
Também já disse, quando o entrevistei em 2023, que a Europa ainda podia ser o antídoto para o caos mundial. Mantém essa convicção?
E continuamos a ver isso mesmo. A única coisa que todos os predadores têm em comum é atacar a Europa. Todos os dias. Trump, Putin, Musk, Zuckerberg. [Sermos] pequenos países europeus está bem, mas [sermos] a Europa ou a União Europeia, isso não. O que quer dizer que os incomodamos. Que somos um obstáculo para os seus planos. Creio que devemos ser um obstáculo ainda maior.
“Não respondas ao louco segundo a sua loucura, para não seres semelhante a ele.” Provérbios 26:4
“Responde ao louco segundo a sua loucura, para que ele não se julgue sábio.” Provérbios 26:5
No caso de Trump, os líderes políticos racionais estão a responder ao louco segundo a sua loucura, para que ele se julgue sábio, sabendo, sem ele o saber, que não é esse o caso. Procuram assim, pela bajulação, iludir o louco e alcançar uma posição mais favorável nas negociações entabuladas.
Ronald Rael, Teeter-Totter Wall, 2020
«Tal como todos os “Grandes” muros que o precederam, o Muro de Trump acabará por ser corroído por um espírito implacável de encontro humano, empreendimento esforço.»
Paul Richardson, Os Mitos da Geografia, Casa das Letras, 2025, pág. 89.
Mas o vosso mais alto pensamento, deveis ouvi-lo de mim - é este: o homem é aquilo que deve ser superado.
Friedrich Nietzche, Assim Falava Zaratustra, Guimarães, 2015, p. 75.
Avançamos a toda a velocidade para a antiga “diplomacia da canhoneira”, agora numa nova versão: a diplomacia da bomba e do porta-aviões nuclear devidamente escoltado por sinistros submarinos negros, também eles nucleares.
Será vê-los surgir ao largo das cidades costeiras, enquanto os líderes políticos fazem as suas exigências: seja o Panamá, a Gronelândia ou o Canadá, ou qualquer outro o território reivindicado. A política do “Quero, posso e mando!”
Um mundo distópico de capitães-pirata e imperadores alucinados.
Parece que Trump só agora está a descobrir que vive num Estado de direito e que, afinal, o "homem mais poderoso do mundo" não pode tudo.
Se assim não for, se esta barreira à arbitrariedade das ordens judiciais do Presidente cair, então será a democracia na América que cairá.